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sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Como se chamava mesmo?

Seria curioso, se não fosse trágico, que um deputado estadual declarasse:
"A Dilma [Rousseff] vem falar do Bolsa Família. Aí você agracia a comunidade carente, e eles começam a ter filhos à vontade."

Os pobres e as pobres estão se reproduzindo? Puxa. Imagina se começam a querer ter os mesmos direitos dos ricos?? Que vai ser do mundo?

Pois é, o sujeito mal eleito, Antonio Salim Curiati, do PP de São Paulo, teve a casa assaltada, de novo. Aí, fez questão de lembrar que há países onde se corta as mãos do ladrão... e, quer que os pobres tenham controle de natalidade.

Comida, não. Controle, cadeia e repressão, sim.
E, controle sobre quem mesmo? Sobre as mulheres, claro!


fonte: http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/964323-deputado-assaltado-defende-controle-de-natalidade-de-pobres.shtml

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Trabajo esclavo en la fabricación de ropas de Zara


http://www.reporterbrasil.org.br/exibe.php?id=1925

Roupas da Zara são fabricadas com mão de obra escrava

Em recente operação que fiscalizou oficinas subcontratadas de fabricante de roupas da Zara, 15 pessoas, incluindo uma adolescente de 14 anos, foram libertadas de trabalho escravo contemporâneo em plena capital paulista

Por Bianca Pyl* e Maurício Hashizume

São Paulo (SP) - Nem uma, nem duas. Por três vezes, equipes de fiscalização trabalhista flagraram trabalhadores estrangeiros submetidos a condições análogas à escravidão produzindo peças de roupa da badalada marca internacional Zara, do grupo espanhol Inditex.

Na mais recente operação que vasculhou subcontratadas de uma das principais "fornecedoras" da rede, 15 pessoas, incluindo uma adolescente de apenas 14 anos, foram libertadas de escravidão contemporânea de duas oficinas - uma localizada no Centro da capital paulista e outra na Zona Norte.

A investigação da Superintendência Regional do Trabalho e Emprego de São Paulo (SRTE/SP) - que culminou na inspeção realizada no final de junho - se iniciou a partir de uma outra fiscalização realizada em Americana (SP), no interior, ainda em maio. Na ocasião, 52 trabalhadores foram encontrados em condições degradantes; parte do grupo costurava calças da Zara.

"Por se tratar de uma grande marca, que está no mundo todo, a ação se torna exemplar e educativa para todo o setor", coloca Giuliana Cassiano Orlandi, auditora fiscal que participou de todas as etapas da fiscalização. Foi a maior operação do Programa de Erradicação do Trabalho Escravo Urbano da SRTE/SP, desde que começou os trabalhos de rastreamento de cadeias produtivas a partir da criação do Pacto Contra a Precarização e Pelo Emprego e Trabalho Decentes em São Paulo - Cadeia Produtiva das Confecções.

A ação, complementa Giuliana, serve também para mostrar a proximidade da escravidão com pessoas comuns, por meio dos hábitos de consumo. "Mesmo um produto de qualidade, comprado no shopping center, pode ter sido feito por trabalhadores vítimas de trabalho escravo".

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Educação do Campo é Direito e não Esmola!

http://www.mst.org.br/Educacao-do-campo-sai-do-anonimato-com-regulamentacao

"O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, assinou nesta quinta-feira (4/11), um decreto que transforma a educação do campo em política pública.
“O decreto vai possibilitar que a educação do campo saia do anonimato”, avalia Vanderlucia Oliveira, da coordenação do MST e da Via Campesina Brasil.
Vanderlucia, assentada no estado do Ceará, é uma das beneficiadas pelo programa.
A oportunidade de fazer o mestrado acadêmico dentro da Universidade de Brasília veio após a formação dentro dos cursos do Pronera.
“Acabamos de regulamentar uma forma de educação participativa e colaborativa que contribui com a formação da identidade camponesa”, completou.
A solenidade contou com a participação dos ministro da Educação Fernando Haddad, do ministro interino do Desenvolvimento Agrário Daniel Maia e de integrantes da Via Campesina e outros movimentos sociais do campo.
Dentre os programas regulamentados, destaca-se o Programa Nacional de Educação na Reforma Agrária (Pronera).
O programa beneficiou mais de 400 mil trabalhadores rurais, jovens e adultos assentados, seja na alfabetização, ou na formação em cursos de graduação e pós-graduação.
A partir de agora, o governo federal tem a responsabilidade de criar e implementar mecanismos que assegurem a manutenção e o desenvolvimento da educação na área rural.
Dessa forma, terá que colocar em curso medidas para superar a falta de acesso às escolas e enfrentamento de problemas estruturais como o fomento à educação básica, fornecimento de energia elétrica, água potável e saneamento básico.
Ações de inclusão digital também estão previstos no decreto.
Além disso, o documento regulamenta o calendário escolar de acordo com as particularidades das atividades regionais e dos ciclos produtivos; o reconhecimento da relevância da escola multisseriada, que se caracteriza por turmas de alunos de diferentes idades e graus de conhecimento na mesma sala e com um único professor; e a pedagogia da alternância (combina atividades intensivas na sala de aula com práticas na propriedade).
Para receber assistência técnica e as transferências voluntárias de recursos do governo federal, o decreto orienta estados e municípios a incluir a educação no campo nos seus planos estaduais e municipais de educação.
Os planos de que trata o decreto devem ser construídos a partir do Plano Nacional de Educação (PNE), que o governo federal vai encaminhar ao Congresso Nacional. O PNE vai trazer as metas educacionais a serem alcançadas pelo Brasil no período de 2011 a 2020."
Por Mayrá Lima
Da Página do MST

sexta-feira, 30 de abril de 2010

Quando a história não sepulta

- oi.
- oi.
- tudo?
- tudo. E contigo?
- tudo. Fazia tempo que a gente não se via, hein?
- sim. Que bom que tu aceitou meu convite. Senta aí.
- que bom tá aqui contigo. Eu pensei em você as vezes.
- eu também, sempre pensei em você, todos os dias desde que te encontrei, tu não tem idéia de quanto pensei em você...
- sério? Não imaginava que tinha causado esse impacto...
- pois, causou. To contente que você tenha vindo. Tenho um filme que quero te mostrar. Aceita um bolinho?
Ela liga o computador, ele olha contente a tela, comendo e pensando em como cortar a parte do filme e partir logo pro sexo. No parque, os dois sozinhos... ela não era exatamente bonita, mas, era interessante, bem humorada, espirituosa e gostava de futebol.
- que filme é? É longo?
- não é longo, é sobre minha mãe.
- tua mãe tem um filme?
- eu que fiz...
Ele fica meio desconcertado. Por que ela iria lhe mostrar um filme sobre a mãe? Ai, ai, isso tava esquisito...
Começa a película. Uma mulher com o rosto bastante envelhecido está chorando. A filmagem é simples, e a imagem treme. "mãe?", diz uma voz no filme. A mulher pára de chorar, e olha a câmera como se não a visse. "encontrei ele na rua...", a velhinha começa a dizer, "ele tava comprando pão, na padaria onde sempre vou... ele me olhou, me reconheceu, e eu saí correndo...", "por que, mãe? por que correu?", "tenho medo... medo que ele faça de novo e de novo...", as lágrimas voltam a correr pelo rosto sulcado da mulher, a câmera treme mais e é colocada sobre algum suporte fixo, "nunca mais vou sair de casa...", soluça.
- então, gostou?
- é sua mãe? Que aconteceu com ela?
- reencontrou teu pai.
A cara do moço diz que ele não entendia nada. Sem saber o que fazer, pega mais um bolinho, o sabor está estranho, não se sente bem.
- sabe, uma história bem triste. Era 16 de maio, 1971, minha mãe tava esperando meu irmão mais velho, tinha 5 meses de gravidez, quando teu pai a encontrou pela primeira vez. Sabe o que fez com ela? Sabe o que os soldados que estavam sob o comando dele fizeram com ela? Não sabe?
O rapaz gaguejava, lívido, sentindo queimar por dentro e uma sensação estranha se estender pelo corpo.
- ela perdeu meu irmão. Quase se perdeu também. Resistiu a quase tudo desde então. Mas, ontem reencontrou teu pai, maldito, e hoje soubemos que ele continua anistiado. Por isso fiquei tão feliz em ter te encontrado, e que você tenha aceitado meu convite. Estão bons os bolinhos? Eu que fiz. Pode ficar com os que ainda sobram.
Fecha o computador, vai embora leve, se preparando pro julgamento.