DESPEDIDA
Para Egídio, que em grego, é “aquele que protege"
A Terra hoje se alegra por receber de volta quem a cuidou e protegeu
Como um fruto que amadureceu no galho
Traz a doçura e as sementes para entregar à mãe, aquilo que é seu.
Mas, se ganha a Terra em doçura e qualidade
A humanidade perdem, em ternura e simplicidade.
Perdem os camponeses do mundo
Um criador de gestos tão profundos
Que se guiaram pela solidariedade.
Perdem os movimentos um pouco da paixão;
Perdem os militantes um dedicado irmão
E a classe toda um exemplo de humildade.
Mas não se perde tudo ao morrer
Ganha-se a herança das belas coisas feitas.
O que até aqui pertence somente ao construtor
Agora é de todos em forma de valor.
Ficam lições a serem apreendidas
Ficam memórias a serem recordadas
Ficam virtudes a serem imitadas.
Fica a honra de tê-lo tido como companheiro
Um destacado e pioneiro
Nas relações internacionais.
Viajou o mundo sem saber os idiomas
Levou mensagens trouxe ensinamentos
Trocou sementes, ânimo e alimentos
Mantendo sempre as relações cordiais.
Se os movimentos camponeses têm hoje unidade
Se deve a esta postura de humildade
Que sempre esteve em pauta, mesmo sem discussão.
Deve-se a ti, a herança afetiva
A teimosia e a insistência combativa
De sempre amar e honrar em qualquer parte do mundo
A luta, a liberdade e a revolução.
A história segue; seguimos o cultivo
Você, de algum modo continuará vivo
E acompanhando as gerações de lutadores.
Quando o futuro chegar em meio as flores
E as crianças sorrirem livremente
Saberemos, que através da prática dos valores
Você jamais deixou de estar presente.
Ademar Bogo
Bahia, 29 de novembro de 2011
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terça-feira, 29 de novembro de 2011
domingo, 20 de novembro de 2011
Una mañana sin fronteras
Estoy en las profundezas de Estados Unidos.
Recibiendo tanto que falta tiempo para acomodar todo en mi consciencia. Mucha gente buena, amable, hospitalaria. Mucha paisage que nos quita la respiración. Mucho camino.
Mucha saudade...
"Geada fria, café bem quente, muito alvoroço", que bien viene esa canción. Estamos casi en invierno, y los días y noches se hacen más y más fríos.
Mañana seguimos para el sur, a ver si llegamos en el Grand Canyon.
Con todas las ganas, con todas las contradicciones.
Recibiendo tanto que falta tiempo para acomodar todo en mi consciencia. Mucha gente buena, amable, hospitalaria. Mucha paisage que nos quita la respiración. Mucho camino.
Mucha saudade...
"Geada fria, café bem quente, muito alvoroço", que bien viene esa canción. Estamos casi en invierno, y los días y noches se hacen más y más fríos.
Mañana seguimos para el sur, a ver si llegamos en el Grand Canyon.
Con todas las ganas, con todas las contradicciones.
domingo, 21 de novembro de 2010
Por ella, por nosotras, y por todas y todos
Hoy es otro 21 de noviembre.
Como hemos aprendido al largo de los años, la tristeza de la falta de ella no nos puede ser quitada. No tenerla para hablar, para oír, para abrazar, provoca un hueco en el pecho.
Sin embargo, la tierra nos necesita, y las gentes de la tierra también. Para trabajar aqui, la alegría es indispensable. Y, ella sabía de eso, y ella, como Benedetti, defendía eso.
"Defender la alegría como una trinchera
defenderla del escándalo y la rutina
de la miseria y los miserables
de las ausencias transitorias
y las definitiva.
(...)
defender la alegría como una certeza
defenderla del óxido y la roña
de la famosa pátina del tiempo
del relente y del oportunismo
de los proxenetas de la risa
defender la alegría como un derecho
defenderla de dios y del invierno
de las mayúsculas y de la muerte
de los apellidos y las lástimas
del azar
y también de la alegría."
(Mario Benedetti)
Sabemos que Salete vive. Sentimos ela falando quando falamos. Como decían los estudiantes que habían hecho una homenaje a ella, adoptando su nombre para la turma,
"Salete vive, en cada uno de nosotros/as"
Como hemos aprendido al largo de los años, la tristeza de la falta de ella no nos puede ser quitada. No tenerla para hablar, para oír, para abrazar, provoca un hueco en el pecho.
Sin embargo, la tierra nos necesita, y las gentes de la tierra también. Para trabajar aqui, la alegría es indispensable. Y, ella sabía de eso, y ella, como Benedetti, defendía eso.
"Defender la alegría como una trinchera
defenderla del escándalo y la rutina
de la miseria y los miserables
de las ausencias transitorias
y las definitiva.
(...)
defender la alegría como una certeza
defenderla del óxido y la roña
de la famosa pátina del tiempo
del relente y del oportunismo
de los proxenetas de la risa
defender la alegría como un derecho
defenderla de dios y del invierno
de las mayúsculas y de la muerte
de los apellidos y las lástimas
del azar
y también de la alegría."
(Mario Benedetti)
Sabemos que Salete vive. Sentimos ela falando quando falamos. Como decían los estudiantes que habían hecho una homenaje a ella, adoptando su nombre para la turma,
"Salete vive, en cada uno de nosotros/as"
terça-feira, 6 de julho de 2010
uma tarde longa e mansa...
"numa tarde longa e mansa,
os dois pela estrada vão,
o cão estima a criança
a criança estima o cão.
que delicada aliança
dos seres da criação:
a delicada criança
e o robustíssimo cão.
por isso na tarde mansa
os dois felizes lá vão..."
é só um poema de livros didáticos da segunda série, que por algum mistério ficou gravado na minha mente, e, nessa tarde longa e mansa de Santander, me volta à memória.
os dois pela estrada vão,
o cão estima a criança
a criança estima o cão.
que delicada aliança
dos seres da criação:
a delicada criança
e o robustíssimo cão.
por isso na tarde mansa
os dois felizes lá vão..."
é só um poema de livros didáticos da segunda série, que por algum mistério ficou gravado na minha mente, e, nessa tarde longa e mansa de Santander, me volta à memória.
domingo, 14 de março de 2010
De crianças e árvores
A imensidão de encinas parecia uma ilusão de óptica. Árvores não muito altas, como se fossem podadas e moldadas por mãos carinhosas faziam um tríptico de galhos a meia altura, deixando um tronco grosso e gracioso como convite ao descanso.
As folhas mui verdes, com uma copa arredondada, chamavam velhas lembranças de figueiras.
O desejo da menina? Saltar do trem e correr pelo bosque de encinas. Aí se repetiam os sinuosos caminhos de água, veias abertas na relva cerrada, e que os pequenos saltavam margem a margem, vencendo o medo de se despencar barranco abaixo.
Sempre que possível, nos finais de semana, sem aula e sem trabalho, se juntavam mais ou menos: Valmir, Janinha, Chiquinho, Gilvane, Claudemir, Marina, Ego, Paraquedas, Rudi, Roberto, os gêmeos da dona Emilia, Anilto, Nenê, quem mais? E no espaço entre as casas da dona Sueli e da dona Pastorina, as aroeiras substituíam as encinas como sombra e colúmpio, e os caminhos profundos de água eram os mesmos.
A relva era o melhor lugar para as partidas de queimada, geralmente os times formados a cada brincadeira se equivaliam, e todo mundo já havia sentido os sabores da derrota e da vitória.
Os corpos infantis que se tornavam fortes e atléticos pelo trabalho no campo e pelos jogos coletivos, fragilizados por uma histórica má alimentação do tempo da cidade, vestindo roupas velhas e de tamanho nem sempre proporcional, corriam, saltavam, subiam nos troncos, desenvolvendo um caráter valente como as árvores cujas raízes não se desprendiam mesmo com as piores borrascas.
Os pezinhos descalços ou mal calçados, com unhas cheias de terra, mais tempo sujos que limpos, sofriam a cada inverno, saindo de madrugada para ir a escola, quebrando gelo das escarchas com chinelinhos havaianas e dedinhos vermelhos de frio. As férias desses pezinhos estava na grama, no pasto verdinho desse pedaço de mundo.
As árvores transmitiam aos pequenos e pequenas a tranqüilidade inquebrantável frente a vento, sol, chuva, indiferença. As vezes vergavam sob o peso de responsabilidades adultas, mas voltavam ao passo ingênuo de criança apenas terminavam de fazer uma bola de sacolas de plástico e meias, enquanto sonhavam com uma “bola de capotão”.
Nesse espaço indescritível de belo, a menina tomou contato por primeira vez com uma das coisas gostosas do mundo: fruta-do-conde. Na verdade na verdade devia ter outro nome, e ela nunca mais encontrou essa frutinha roxa, produzida por uma planta meio rasteira e com folhas urticantes. Uma neta da dona Pastorina lhe disse que era fruta-do-conde. Não, não era amora.
A falta de tudo transformava o coletivo infantil em exploradores, e reinavam naquele trecho de pastagem. Os brinquedos que tinham eram os que fabricavam com materiais recolhidos em qualquer parte: sabugos, lascas de lenha, terra, sementes. Manejavam facões e machados como adultos.
A falta de tudo os fazia iguais, e tudo que tinham era de todos e todas.
El parque de las encinas se quedava lejos, y la mujer volvia los ojos al ordenador, revisando la clase que daria luego a la noche, imaginando que pasaria si no llegara a la Universidad de Extremadura, si se perdiera entre los arboles...
As folhas mui verdes, com uma copa arredondada, chamavam velhas lembranças de figueiras.
O desejo da menina? Saltar do trem e correr pelo bosque de encinas. Aí se repetiam os sinuosos caminhos de água, veias abertas na relva cerrada, e que os pequenos saltavam margem a margem, vencendo o medo de se despencar barranco abaixo.
Sempre que possível, nos finais de semana, sem aula e sem trabalho, se juntavam mais ou menos: Valmir, Janinha, Chiquinho, Gilvane, Claudemir, Marina, Ego, Paraquedas, Rudi, Roberto, os gêmeos da dona Emilia, Anilto, Nenê, quem mais? E no espaço entre as casas da dona Sueli e da dona Pastorina, as aroeiras substituíam as encinas como sombra e colúmpio, e os caminhos profundos de água eram os mesmos.
A relva era o melhor lugar para as partidas de queimada, geralmente os times formados a cada brincadeira se equivaliam, e todo mundo já havia sentido os sabores da derrota e da vitória.
Os corpos infantis que se tornavam fortes e atléticos pelo trabalho no campo e pelos jogos coletivos, fragilizados por uma histórica má alimentação do tempo da cidade, vestindo roupas velhas e de tamanho nem sempre proporcional, corriam, saltavam, subiam nos troncos, desenvolvendo um caráter valente como as árvores cujas raízes não se desprendiam mesmo com as piores borrascas.
Os pezinhos descalços ou mal calçados, com unhas cheias de terra, mais tempo sujos que limpos, sofriam a cada inverno, saindo de madrugada para ir a escola, quebrando gelo das escarchas com chinelinhos havaianas e dedinhos vermelhos de frio. As férias desses pezinhos estava na grama, no pasto verdinho desse pedaço de mundo.
As árvores transmitiam aos pequenos e pequenas a tranqüilidade inquebrantável frente a vento, sol, chuva, indiferença. As vezes vergavam sob o peso de responsabilidades adultas, mas voltavam ao passo ingênuo de criança apenas terminavam de fazer uma bola de sacolas de plástico e meias, enquanto sonhavam com uma “bola de capotão”.
Nesse espaço indescritível de belo, a menina tomou contato por primeira vez com uma das coisas gostosas do mundo: fruta-do-conde. Na verdade na verdade devia ter outro nome, e ela nunca mais encontrou essa frutinha roxa, produzida por uma planta meio rasteira e com folhas urticantes. Uma neta da dona Pastorina lhe disse que era fruta-do-conde. Não, não era amora.
A falta de tudo transformava o coletivo infantil em exploradores, e reinavam naquele trecho de pastagem. Os brinquedos que tinham eram os que fabricavam com materiais recolhidos em qualquer parte: sabugos, lascas de lenha, terra, sementes. Manejavam facões e machados como adultos.
A falta de tudo os fazia iguais, e tudo que tinham era de todos e todas.
El parque de las encinas se quedava lejos, y la mujer volvia los ojos al ordenador, revisando la clase que daria luego a la noche, imaginando que pasaria si no llegara a la Universidad de Extremadura, si se perdiera entre los arboles...
